O caso da dívida de cerca de €5.000 que mais parecem 50 mil milhões

Ainda pensei um bocado sobre se deveria partilhar aqui este texto que escrevi e uma vez que já alertei dentro do Partido para esta situação e é um tema em que falo recorrentemente e que critico abertamente pois está visto que as falhas a este nível são mais que muitas.

Sendo que isso prejudica a imagem do Partido e tem repercussões na forma como não só o seu eleitorado mas a população em geral o interpreta, aqui fica a minha visão sobre este tema, as suas implicações e as possíveis resoluções. Sim, porque eu não sou de “dizer mal”, sou de identificar problemas mas apontando sempre soluções que eu considero viáveis.

Estamos em ano de eleições legislativas; o ex-PM está preso e sem possibilidades de sair tão cedo do EP de Évora; o Director da SS de Lisboa foi preso bem como o chefe de serviço, os três por fraude, evasão fiscal, branqueamento de capitais entre outros, tudo crimes do foro económico. Enriquecimento Ilícito por favorecimento e tráfico de influencias mas do que se fala em cada esquina é de uma divida – de trabalho!!! – que o actual PM Dr. Pedro Passos Coelho não pagou e que tem o inadmissível valor de pouco mais de €5.000. Uma fortuna que lhe permitiu comprar um iate e vários carros topo de gama para além de fazer férias em locais paradisíacos e varias vezes no mesmo ano, certo? Não!!! Errado! Absolutamente errado!!!

Pedro Passos Coelho é PM de Portugal desde 2011, ano em de que data o primeiro processo. O que se passou nesse ano? Terá sido o ano em que o 2º Governo do Pirata caiu e tivemos que chamar a Troika? Será o mesmo ano em que a economia portuguesa poderia ter entrado em default e o rating da República caiu para “Lixo”? Teria então Pedro Passos Coelho mais com que se preocupar uma vez que assumiu o leme da governação de Portugal?

Como todos sabemos, ou devemos saber, são vários os serviços paralelos que fazem parte do Governo tenha ele a cor que tiver e de entre eles há três que são fundamentais para que a Governação decorra sem sobressaltos. Ora se são só três, não podemos estar a falar de Ministérios e de facto não estamos. Estamos a falar dos Gabinetes de Imprensa do Governo, do Gabinete de Imprensa do PM e dos seus assessores.

É ao Gabinete de Imprensa do PM e aos seus assessores que cabe a responsabilidade de no caso do primeiro, comunicar em nome deste e no caso dos segundos de tratarem dos seus assuntos libertando-o para tratar do que realmente é importante – o País que o elegeu para o governar.

Ora se há todo este barulho por cerca de €5.000 que não serviram como vimos para comprar bens luxuosos nem para que ele enriquecesse ilicitamente, então porquê tanto barulho? Cabia ao Gabinete de Imprensa sanar esta questão antes de ela começar e cabia aos assessores não permitir sequer que ela fosse uma questão caso estivessem atentos e fossem profissionais. Então, devemos perguntar-nos o seguinte:

  • Quem são os assessores de Pedro Passos Coelho?
  • Quantos são?
  •  Que funções têm atribuídas?
  • Que rendimento auferem?
  • Há quanto tempo estão no exercício das suas funções?
  • Qual o CV de cada um deles?

O mesmo leque de perguntas deve ser feito relativamente aos elementos que compõem o Gabinete de Imprensa do PM. É de esperar, pela média de ordenados pagos, que estes profissionais sejam os melhores que o mercado tem para oferecer, que tenham um Curriculum invejável, que tenham as melhores ligações às redacções dos meios de comunicação, que sejam exemplares a passar a mensagem.

Pois..isso era o desejável mas não parece ser o que de facto acontece pois se fosse, €5.000 não pareceriam 50 mil milhões pois pelas proporções que este caso está a tomar, parece que é deste valor que estamos a falar.

  • Como é que este caso não foi sanado antes de existir?
  • Como é que isto atingiu estas proporções e dura há tanto tempo?
  • Como é que não foi emitido um comunicado curto e eficaz que fosse distribuído pelas redacções de todos os meios de comunicação sem excepção e independentemente do seu formato – papel, digital, áudio ou outro – que explicasse o porquê desta dívida e porque não foi paga mal saiu a primeira notícia que nunca deveria ter saído se os assessores tivessem relembrado o PM de que a dívida existia para que a boa cobrança fosse feita?
  • Como é que o Gabinete de Imprensa do PM não antecipa estas situações e as sana à nascença?
  • O que andam eles lá a fazer?
  • Será que são um bando de recém-licenciados em Agricultura e foram lá parar por erro informático?
  • Serão Jotinhas sem experiência profissional?

Vamos esclarecer aqui um ponto: eu fui Jota (dirigente), tenho muito orgulho no trabalho que desenvolvi juntamente com a equipa com que trabalhei mas sabia bem qual era o meu lugar na hierarquia. 

É tão inadmissível que este caso tenha existido quanto são inadmissíveis as proporções que tomou. Chega-se à conclusão que não é preciso ser Jornalista ou profissional da comunicação para se estar nestes lugares. Apenas é preciso que se seja competente, inteligente, pratico e que se saiba escrever porque um simples comunicado de 4/5 linhas a responder ao essencial, assinado pelo punho do PM e distribuído por todas as redacções sem excepção para ser emitido mal saiu a primeira noticia com as respostas às questões mais relevantes seria o necessário para que hoje este texto não precisasse de ser escrito e gente competente que não consegue colocação é o que mais há neste País e bem capaz de o fazer ou pelo menos mais capaz do que quem lá está actualmente.

Eu acredito piamente que esta opinião vá incomodar algumas pessoas mas da mesma forma espero que sirva de lição e que estes erros sejam corrigidos. Para bem do País e para bem do Partido.

Da mesma forma, devo reiterar que num texto anterior eu afirmei que não criticava “os meus” em público e não o faço. Apenas questiono algumas coisas nesta análise que aqui apresento não estou a mudar de ideias nem estou a “dar o dito por não dito”.

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2 thoughts on “O caso da dívida de cerca de €5.000 que mais parecem 50 mil milhões

  1. Estou de acordo com a totalidade desta descrição , sobre o funcionamento da exposição da informação considerada relevante para a impressa ao que a pessoa do Primeiro-Ministro diz respeito , já em tempos inícios desta governação , e por duas vezes chamei a atenção , ao ainda subsecretário geral do PSD , Jorge Moreira da Silva , e noutra ocasião ao actual secretário do PSD , Matos Rosa , que o gabinete de imprensa do partido era precário , pois se era-mos sistematicamente bombardeados com alusivas falhas , nas reformas nas reestruturações que tardavam , não menos verdade e mais relevante , era o impulso de outras tantas reformas em curso . O certo é que a mensagem do que se fazia e já se percutia em muitos sectores não chegava ao grande público , diga-se ao contribuinte que tem o direito de saber se o governo cumpre promessas feitas de quando da sua candidatura , obtive resposta pronta que a maquina de comunicação do partido , padecia de défice comparada com outros partidos da oposição , que se iria fazer um esforço no sentido de superar esta discrepância , já noutra ocasião durante a apresentação da candidatura há autarquia de Sintra de Pedro Pinto , falei com Zeca Mendonça que me garantiu que em breve seria superada essa lacuna com a passagem de Marco António Costa , para Vice-Presidente e Coordenador da Comissão Politica Nacional. De facto foi a partir deste período que o PSD começa a ter uma maior agressividade , mas carece ainda e começa a tornar-se critico , uma maior agressividade e uma abrangência nacional de grande difusão . As eleições aproximam-se e o inimigo é ardiloso como o sabemos .

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    • José, este é de facto um tema complexo não só pela sua seriedade mas também pelo número de pessoas que envolve. É grave que a Direcção do Partido insista num modelo que já deu mais do que muitas provas de ser um fracasso. Vejamos as últimas autárquicas – que perdemos por culpa própria, o desastre que foi o Congresso, as Europeias e o que se avizinha ser outro desastre comunicacional nos dois actos eleitorais que se avizinham. Eu bem quero falar com o Secretário-Geral ou com o Presidente do Partido mas não consigo…Uma abordagem mais agressiva pode ir de encontro à do nosso adversário mais directo mas para as pessoas não creio que seja a mais adequada. No entanto, é preciso mostrar força, coragem e confiança para que o eleitorado nos encare como uma opção credível.

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