Porque eu critico a comunicação do PPD/PSD

Mais uma vez sou forçada a adereçar este tema pois fui novamente confrontada com uma situação que é passível de ser criticada por vários motivos.

Tenho dito publicamente que se a comunicação do PPD/PSD é uma vergonha para o exterior mais o é internamente e isso é inadmissível num Partido com uma estrutura tão pesada e com tantos quadros como é o nosso caso.

Tempos houve em que a Concelhia a que pertenço comunicava em folhas mal cortadas e mal fotocopiadas num total desrespeito pelos militantes, ainda mais quando poderia recorrer ao formato digital.

Hoje em dia, recebemos as tradicionais cartas em formato A4 e alguma correspondência digital, sobre essa também tenho a minha opinião mas não a vou expressar nesta análise, ficará portanto “para outras núpcias”.

Vamos então, depois desta introdução ao caso concreto: O Partido celebra este ano os seus 40 anos. Sem dúvida um marco que tem sido assinalado em várias comemorações ao longo do País durante este ano, chegando agora a vez da Concelhia a que pertenço também se aliar a esta iniciativa até porque há vários militantes que desde o início participaram na construção da História do Partido e devem por isso ser homenageados.

Até aqui tudo bem. Eu recebo a comunicação como toda a gente via CTT e já tinha sido avisada telefonicamente. O Partido está portanto a estabelecer boas bases comunicacionais com os seus militantes.

Então expliquem-me isto: como é que a carta, para além de conter frases-feitas, contém frases sem nexo?Isto admite-se quando estamos a falar de militantes dirigentes com muitos – reparem que não escolhi a palavra “vários” – “anos de casa”?

Não seria de esperar que tivéssemos os melhores à frente das Direcções de secção? Não deveria a lista ganhadora possuir nas suas fileiras os melhores nas várias áreas de actuação? Pelo menos bons o suficiente para poderem apresentar uma carta de 6 parágrafos com alguma categoria semântica? Não digo que se equiparassem a Camões mas pelo menos que não fosse sofrível.

A comunicação é uma arma preciosa e quem não sabe ou não consegue comunicar, oralmente ou por escrito, ou se mantém afastada dos cargos ou se rodeia de uma equipa que o consiga fazer de forma exemplar. É uma vergonha que ou se parta do principio que os destinatários “lêem em Z” ou que não lêem de todo. Em qualquer dos casos, “algo vai muito mal no Reino da Dinamarca”.

Até porque, uma secção que não consegue numa carta, uma simples carta, apresentar as suas ideias de forma conexa e coerente, como é que se pode esperar que comunique cabalmente para o exterior?

É caso para colocar novamente a questão: porque será que quem ganha internamente o Partido não o ganha nas urnas? Será que os militantes não fazem as melhores escolhas? Ou fazem as escolhas possíveis? Ou pior do que isso, escolhem o mal menor ou escolhem com o coração e não com a razão?

É claro que nem todos podemos ter o mesmo nível de literacia. Nem todos podemos ser polivalentes a nível de conhecimento mas todos, ou aqueles que almejam um dia ter cargos relevantes dentro da estrutura, deveriam pelo menos ser capazes de endereçar uma carta bem escrita e perfeitamente perceptível pelo seu público-alvo.

Este é mais um triste exemplo do que se passa dentro de um dos maiores Partidos nacionais. E esta análise poderia, e vai até um pouco mais longe.

Sendo que o Partido é composto por um Conselho Nacional com 70 (sim, setenta) elementos provenientes de várias partes do País e sendo que se usa o critério da inerência, que pressupões que é preciso ser Dirigente para que se possa fazer parte de outro órgão partidário, deve colocar-se a pergunta: o que andam esses Conselheiros a fazer que não “controlam” as suas secções? Estes conselheiros deveriam ser os melhores dentro de cada circulo para o representarem a um nível superior mas também para servirem de exemplo às estruturas que lhe são hierarquicamente inferiores tendo a obrigação, pelo menos moral, de os supervisionar para que elas produzissem os melhores políticos possível e os melhor preparados pois é destas estruturas intermédias que saem os nomes para Deputados nacionais, por exemplo. Eu quero no Parlamento elementos que saibam expressar um raciocino, que saibam discursar não lendo, que pertençam a uma Comissão de Trabalho ou de Inquérito e que contribuam positivamente nessas áreas de actuação.

Que sejam Presidentes de Câmara e consigam ter um bom discurso no desempenho das suas funções, que sejam Presidentes de Junta e saibam comunicar no decorrer do seu mandato. É isto que se espera de um Partido, que forme os seus quadros para que eles possam desempenhar bem os cargos para que sejam eleitos externamente ou nomeados internamente e para isso não só é preciso que saiba comunicar internamente como é primordial que o saibam fazer externamente.

Não serve portanto esta análise para acusar ninguém directamente mas para mais uma vez chamar a atenção para um problema gravíssimo que teima em persistir no seio do Partido.

Anexo parte da dita carta para que entendam o que digo. Poderia parafraseá-la mas acho que não teria a mesma credibilidade e assim todos vêem exactamente do que estou a falar. No caso de haver alguma dúvida, refiro-me em especial ao 2º parágrafo: “(…) O nosso Partido….Ilustres”.

Reitero mais uma vez que se trata de uma análise de forma e de conteúdo e não de um ataque pessoal a ninguém.

Comunicação aos militantes

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