Onde termina a liberdade profissional e começa a pessoal

Não poderia deixar de analisar este tema tão importante para o bom funcionamento da sociedade e para a correcta postura profissional. Só peca por tardio mas isso já vem sendo hábito num País que nos idos anos 90 estava 50 anos atrasado em relação ao resto do Mundo.

Tenho várias vezes colocado a pergunta e até hoje não encontrei uma resposta: Onde é que os jornalistas portugueses tiram os cursos que os habilitam a exercer?

Esta pergunta pode parecer satírica mas a questão é bem mais profunda senão vejamos: temos jornalistas que exploram temas económicos e chegam a dizer que “Portugal pediu um empréstimo de 78 milhões à Troika” entre outra barbaridades que por aí tenho ouvido.Temos outros que se dizem especialistas em Politica e nada percebem da matéria.

Onde se especializaram? Longe vão os Fernandos Pessa, Carlos Finos, Margaridas Marante, o José Rodrigues dos Santos nos seus tempos áureos e a própria Maria Elisa Domingues que se veio a verificar não ter curso mas que tinha aptidões comunicacionais e conhecimentos acima da média. Estes são alguns dos jornalistas que nas décadas de 80 e 90 marcaram positivamente a comunicação, que tinham ética profissional e que sabiam do que falavam. Conseguiam conduzir ( e não induzir) uma peça jornalística ou uma entrevista a uma pessoa de qualquer quadrante sem que esta “descambasse” para uma “conversa de café”. Atravessaram vários momentos políticos e económicos complicados e controversos conseguindo sempre o seu fim último – informar o cidadão de forma clara e isenta e por isso se transformaram, para mim, em referências no meio.

Talvez nessa altura, pré-globalização e pré-redes sociais eles tivessem que ter mais “tento na língua” porque os meios de comunicação ainda estavam algo circunscritos. É a diferença para os dias de hoje, onde eles estão manipulados e o que deveria ser “pensar fora da caixa” se transformou em brejeirice É portanto urgente “Criar um código de conduta nas redes sociais”.

Quem me segue sabe que sou alérgica aos actuais “achismos”. Toda as pessoas “acham que” percebem de Politica, de Economia que podem discutir Diplomacia ou seja que tema for só porque têm uma opinião sobre tudo. Bom, devo dizer-vos que ter uma opinião é bem diferente de ter um Argumento. Não, lamento desapontar-vos mas não é de todo a mesma coisa.

E isso vê-se na nossa Comunicação Social e o caso atinge tais proporções que temos que chegar a este ponto. As pessoas, jornalistas ou meros cidadãos, advogam muitas vezes o Direito de Expressão para justificarem o facto de dizerem “o que lhe dá na veneta” sem qualquer respeito quer pelas regras da comunicação quer pela pessoa ou assunto em questão. E esquecem-se de algo fundamental: comunicar oralmente é muito diferente de comunicar verbalmente. A linguagem escrita pode ser bastante traiçoeira porque quando estamos frente-a-frente com alguém vemos a reacção do nosso interlocutor e não raras vezes incorremos em mal-entendidos e temos que explicar o que queremos dizer.

Na linguagem escrita as coisas podem atingir proporções mais graves e atingem muitas vezes. Por um lado, temos os erros ortográficos, a falta ou uso errado ou exagerado da pontuação ou ainda as abreviaturas ou a “linguagem de chat ou sms” que incorporamos no discurso que deveria ser informal sem ser corriqueiro.

Tudo isto aliado ao facto de quando “dá jeito” usarmos a chancela da profissão, não pode dar bom resultado.

À pergunta: Como deve um jornalista comunicar nas redes sociais? A minha resposta é: em primeira instância com decoro e respeito pelas pessoas e pelas situações. Em segunda instância, deve relatar os factos. Querendo opinar sobre eles, deve comunicar como cidadão e aceitar as consequências caso as haja. Isto porque se está a comunicar como profissional e está a relatar um facto, não está a expressar a sua opinião pessoal sobre o assunto e portanto está a cumprir com as regras da profissão.

Quando quer fazer um uso abusivo da profissão e usar o espaço que o Jornalismo lhe dá para expressar “livremente” a sua opinião e não a usar um argumento válido, pode e deve assumir as consequências. Mas acima de tudo, um Jornalista deve saber escrever seja um post, seja uma noticia, seja um recado que deixa no frigorífico, isto é, sem erros de qualquer espécie.

Ora como se resolve isto? É simples. Criam-se duas contas. Uma do cidadão onde este pode opinar, correr riscos e assumir as consequências e outra profissional onde relata os casos tão simplesmente.

Esta atitude não é limitadora nem castradora por uma razão muito simples: ” A liberdade de um termina onde começa a do outro” seja ele Jornalista, empregado de limpeza, CEO, ou o que for porque antes de qualquer outra coisa, todos somos cidadãos, uns mais cultos que outros mas todos livres de expressar a nossa opinião desde que cumpramos as regras de civilidade e respeito a que estamos de forma inata obrigados desde que façamos parte de um núcleo. Uma coisa é a profissão de cada um e outra é a característica humana que nos une.

O que não se pode nem deve é “puxar dos galões” sempre que nos dá jeito e isso não deveria ser ensinado na Faculdade de Jornalismo, devia ser ensinado em casa pelo pais, pelos irmãos, pelos avós desde o momento em que emitimos a nossa primeira palavra.

A palavra é a nossa arma mais poderosa mas a linha que separa a comunicação da ignorância é ténue e com as redes e o alcance que atingem, ainda se torna mais frágil. Comunicar não custa, o que custa é admitir que por mais livre que seja a sociedade há limites naturais que nunca devem ser ultrapassados e que deveriam ser intrínsecos à nossa condição de Ser Humano.

Se não há cidadãos de primeira e de segunda, também não deveria haver Jornalistas e cidadãos-comuns. Fiz-me entender?

Aqui fica o artigo que me serve de base a esta análise:

http://expresso.sapo.pt/vem-ai-regras-para-os-jornalistas-nas-redes-sociais=f917303

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