Devemos ou não denunciar o que sabemos estar mal?

Quem comigo priva sabe que tanto dentro da esfera partidária como fora eu sou bastante critica das situações que considero erradas ou abusivas que são levadas a cabo por elementos do meu Partido e que especialmente desde as últimas autárquicas ( não só mas também porque me tocou directamente mas essa história um dia conto-vos) que me dirijo a quem de direito para expôr as minhas leituras das várias situações assim como peço uma limpeza dentro do PPD/PSD. Limpeza essa que já teve, precisamente nas autárquicas um momento ideal para acontecer mas que infelizmente tarda.

Expliquei, no blog e publicamente, quais foram as minhas motivações para deixar de expressar os meus insights sobre as várias matérias nas redes sociais. Daí que, e apesar de o ter feito sobre a matéria que ora vos trago em grupos específicos do Facebook, tenha ponderado fazê-lo aqui. No entanto, a minha busca pela Verdade impeliu-me a fazê-lo.

Aproveito para dizer que optei por fazê-lo. contrariamente ao que tem sido hábito, no Facebook tão-só e apenas porque me estava a custar ver elementos que se identificaram como militantes e cidadãos anónimos a desvirtuar a questão tentando centrá-la nas eventuais motivações e carácter do autor e não nas palavras proferidas que são para mim, o mais importante.

Paulo Vieira da Silva, ex-VP da Jota Distrital do PPD/PSD, opta por fazer uma denúncia pública dos comportamentos profissionais e políticos de Marco António Costa (MAC) -neste momento Coordenador Permanente da Comissão Política Nacional e Porta-Voz do Partido Social Democrata – disponibilizando-se junto do Ministério Público e da Policia Judiciária para prestar os esclarecimentos necessários decorrentes das suas declarações.

Se me perguntarem, eu não gosto que questões internas do Partido sejam tratadas na “praça pública” mas sou capaz de entender as motivações do autor. Eu própria já tinha tido conhecimento de algumas situações menos transparentes e por vezes também me canso por não encontrar eco para as minhas preocupações mas enquanto acreditar no Partido, é no seu seio que as apresentarei. Aliás, neste momento aguardo resposta a um email originalmente enviado em Maio de 2014 e reencaminhado esta semana para José Manuel Matos Rosa – Secretário-Geral do PPD/PSD – onde dou conta de algumas situações menos agradáveis e a meu ver, prejudiciais ao bom funcionamento do Partido e para o qual ainda não tive resposta. Mas espero que ela chegue pois defendo que “mais vale tarde do que nunca”.

Voltando ao Paulo, neste caso especifico, pouco me importam as motivações que o levaram a escolher a via que escolheu. O que me importa acima de tudo é que ele demonstrou coragem e honestidade intelectual, na minha perspectiva, e não teve medo de apontar o dedo e denunciar o que na óptica dele não está bem.

É assim que o País tem que funcionar. Não na base da censura nem da repressão ou do medo mas na base da exposição para que seja possível agir sobre as diversas matérias. Mais uma vez, é uma questão de Liberdade e quando optamos por ter uma vida pública temos que aceitar ser alvo de julgamento por terceiros.

Paulo Vieira da Silva achou por bem denunciar e fê-lo. O que importa o timming? Poderia ou deveria ter esperado até depois das eleições? Deveria ter falado enquanto MAC exercia funções na CMVNG? Porque é que as pessoas não se centram simplesmente no facto de ele ter denunciado sem mais?

Eu coloquei uma questão à qual quem tentava desvalorizar o assunto não me respondeu. Vou colocá-la aqui que pode ser que tenha mais sorte: Como devem agir as pessoas que fazem parte de estruturas partidárias? Se denunciam são “bufos” ou “ressabiados”. Se não denunciam ” são tão chulos como os outros” ou “estão à procura de tacho”. Em que ficamos? Somos “presos por ter cão e presos por não ter”?

Porque é que perante casos tão importantes as pessoas se prendem em questões tão acessórias fugindo do essencial? Será que só gostam de criticar “à porta fechada”? Será que quando as criticas são públicas as pessoas se sentem mais vulneráveis e passam a sofrer do “Efeito espelho”?

O português pertence realmente a uma raça curiosa. Gosta de opinar sobre tudo, acha que sabe tudo, faz julgamentos de valor sem fundamento e sem a totalidade das informações mas ainda assim considera-se inteligente e informado.

Eu defendo que se todos formos correctos, se denunciarmos as situações à medida que elas forem aparecendo e se formos sendo responsáveis e responsabilizados pelos nossos actos, só podemos caminhar para um Mundo melhor.

Atingimos hoje 41 ano de Democracia. Já não somos assim tão jovens e se calhar já vai sendo tempo de rompermos com velhos hábitos. O caciquismo e o servir-se da Politica já deveriam ser conceitos que deveriam ser criticáveis e puníveis pelas gerações mais novas e não exemplos a seguir para se entrar na “máquina”.

Cada dia que passa é um dia a mais a viver no mesmo status quo e um dia a menos em que exercemos a verdadeira Liberdade Democrática. Urge romper com as amarras tal como urge que nos capacitemos que na Politica servimos, não somos servidos e se almejamos enriquecer,estudamos e trabalhamos não criamos esquemas e caciques.

O Paulo um dia explicará porque escolheu este momento. Se nas suas palavras houver matéria criminal, a Justiça provará se ele tem ou não razão no que diz. Eu cá estarei para ouvir e nessa altura tirarei as minhas ilações.

Seja qual for a motivação, eu agradeço que todos sem excepção tenham a coragem de se levantar e denunciar o que não estiver certo da mesma forma que agradeço às altas esferas partidárias que tenham a coragem de assumir que quem não serve o ideal de Francisco Sá Carneiro não serve a Democracia e em última análise não serve Portugal e portanto se não tem a hombridade de sair pelo próprio pé, deve ser-lhe apontada a porta da rua de São Caetano à Lapa.

Aqui vos deixo o texto de Paulo Vieira da Silva na integra:

http://m.visao.sapo.pt/inicio/modal/destaques/artigo/817651

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