Liberdade vs. Libertinagem

Mais uma vez o tema da liberdade que nem de propósito ainda esta semana debati com dois amigos.

A nossa querida comunicação social odeia regras. É esta a conclusão a que se chega quando se vê toda a gente a gritar “censura” quando se pretende alterar uma Lei de 1975 tornando-a não só mais actual face ao aumento do número de Partidos existentes como mais equilibrada em termos de representação nos meios de comunicação social.

O que é que assusta a Comunicação Social? As multas? As regras? Os prazos pré-estabelecidos?

Pouca é, infelizmente, a comunicação social de referência em Portugal desde o 25 de Abril de 1974. Todos, ou quase todos, os órgãos de comunicação social tendem a ser sensacionalistas e a veicular inverdades. Não raras vezes ou desmentidos oficiais ou pressões populares, nomeadamente no digital, levam a recuos face a atitudes irresponsáveis e vis perpetradas pela Comunicação Social portuguesa.

Eu li a proposta, que vos deixo e os argumentos e honestamente choca-me que o actual Presidente da ERC amue porque “não foi ouvido”. Acaso tinha que ser? Acaso quando se toca nos outros sectores da sociedade os Presidentes vão ao Parlamento ajudar a escrever as Leis? Já faltou mais para termos gabinetes dos “lobbistas” junto aos dos Ministros ao bom estilo americano mas ainda lá não chegamos. Ainda há situações em que está “cada macaco no seu galho”.

Estes preciosismos tiram-me do sério. A Comunicação Social tem que ser isenta. É no mínimo triste que um País com uma Democracia tão jovem quanto a nossa tenha que ao fim de 41 anos estar a criar um Código de Ética para a presença online dos Jornalistas – que eu pensei que já existisse um Código Ético e Deontológico e que o estudassem na Faculdade – e que tenha que se regulamentar a actuação dos ditos órgãos.

Na conversa que mencionei ter tido surgiram duas questões: o facto de a Liberdade estar em cima da mesa no debate politico pois toda a gente considera que se deve regular e extrapolar e o facto precisamente da produção de legislação. Para tudo, seja qual for o tema, logo saltam para produzir ou alterar legislação. Não se pensa em reduzir, não se pensa em confiar na capacidade de discernimento da sociedade, apenas se pensa em legislar, legislar e mais uma vez…legislar. Ou seja, atafulhamos o País em Leis e Regulamentos não deixando espaço à liberdade – a verdadeira – de pensar, de analisar, de decidir de acordo com padrões morais, Valores e Princípios.

É aqui que, para mim, entra a Libertinagem. A Libertinagem de a Comunicação Social fazer tudo o que lhe apetece sem qualquer penalização, de dizer tudo o que lhe apetece sem sofrer consequências, de manipular informação a seu bel-prazer muitas vezes para tentar influenciar a opinião pública no sentido que mais lhe apraz.

Por outro lado, quando se tenta regular e legislar sobre tudo tornando o País mais burocrático, estamos a limitar a Liberdade de acção e de pensamento de cada um. Estamos a ser Libertinos na utilização do Poder que nos é conferido através do voto.

É portanto necessário ter cuidado pois é demasiado ténue a linha que separa estes dois conceitos e quer a sua repressão quer o seu uso excessivo são igualmente condenáveis. No entanto é assustador que porque se tentam colocar algumas regras todo o Mundo se insurja e sejam necessários mil e um esclarecimentos. Será que o único método “livre e democrático” que se continua a usar neste País é do da pressão, do amuo e da chantagem?

Ainda por cima com tanto para fazer em fim de mandato para contrariamente a Sócrates e Teixeira dos Santos, deixar tudo em ordem, Pedro Passos Coelho ainda tem que se vir distanciar desta questão porque os Doutos Donos da Verdade não sabem distinguir o que é trabalho dos Grupos Parlamentares do que é trabalho do Primeiro-Ministro e ainda podem usar isto para o atingir…

Algumas perguntas assolam o meu espírito neste momento: se a Comunicação Social quer ter Liberdade de fazer o que lhe apetece, como pode negá-la aos outros? Se a Comunicação Social pretende viver na Anarquia e no Caos, não podem os outros querer com igual ferocidade viver no Respeito e na Ordem? E agora a mais importante de todas, a pergunta para Um Milhão de Dólares:

Onde começa a Liberdade de uns e termina a dos outros?

E como estamos no 25 de Abril, será mesmo caso para dizer Viva a Liberdade?! É esta a Liberdade que queremos?

Aqui vos deixo os vários links para que tirem as vossas próprias conclusões:

http://www.publico.pt/politica/noticia/debates-eleitorais-so-obrigatorios-para-partidos-ja-na-ar-e-os-outros-dependem-das-tv-1692796

http://expresso.sapo.pt/psd-desmente-exame-previo=f921481

http://expresso.sapo.pt/obviamente-demite-se-presidente-da-erc-em-total-desacordo-com-projeto-psd–cds–ps=f921476

http://expresso.sapo.pt/passos-distancia-se-da-polemica-sobre-a-cobertura-das-eleicoes=f921515#ixzz3YF4s1BkG

http://www.publico.pt/politica/noticia/proposta-de-cobertura-das-campanhas-em-risco-de-cair-1693495

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2 thoughts on “Liberdade vs. Libertinagem

  1. A liberdade não pode estar amordaçada pelo poder politico, e a comunicação social não pode nem deve ser controlada pelo mesmo, mas como os jornalistas são humanos e, infelizmente para alguns senhores, eles pensam pela própria cabeça e escrevem consoante as suas ideologias, os políticos têm que viver com isso….Os abusos de ambas as partes deverão ser punidos….

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    • D. Irene, seja muito bem-vinda! Muito obrigada pelo seu comentário. Parece-me que não temos a mesma visão sobre o papel da comunicação social. Quando eu aprendi sobre o tema, o que se pretendia dos profissionais de comunicação era que escrevessem uma noticia que respondesse de forma clara a 5 questões: quem, como, quando, porquê e onde. Em lado nenhum se deveria responder à questão: “a minha opinião”. Para isso se criam blogs e se escrevem artigos de opinião. As regras que o novo diploma pretende que se sigam prendem-se com a organização dos espaços e a divulgação dos conteúdos em nada limitando a liberdade de expressão tal como se pode ler nos artigos que me serviram de base a esta análise. Como a comunicação social portuguesa está habituada a ser libertina e a dar a sua opinião a torto e a direito, ficam muito ofendidos e gritam que estão a ser castrados cada vez que se lhes tenta impôr alguma regra. A Lei vai ser aprovada e eles vão ser obrigados a aceitá-la. Nada de novo portanto e eu agradeço não ser obrigada a ouvir os borgessos que muitos têm como “comentadores” durante a campanha caso eles resolvam “fazer greve”. No entanto repito a dúvida que me levanta este tema: se a comunicação social se acha no direito de impôr a sua ideia aos outros e isso é Liberdade, porque é que o contrário é considerado censura ou castração? Espero que continue a participar sempre que achar relevante. Até breve.

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