O Exército, uma persona non grata.

São muitas as minhas ligações ao Exército pois com apenas 4 meses coloquei os meus micro-pezinhos na MM Porto. O meu Pai é aposentado do Exército, são muitos os militares que através dele conheci e muitos são os funcionários com quem ainda mantenho contacto.

Quando foi apresentada a revogação do SMO, eu não gostei. Apesar de a proposta ter sido apresentada e defendida por alguém cujas qualidades reconheço e o trabalho prezo, não posso concordar com semelhante.

Senão vejamos: não são apenas os custos operacionais dos quartéis e estruturas mas também o pessoal. Mas o Exército é muito mais do que isso e reduzi-lo a um período de 3 meses que os jovens passam fora de casa num regime hierárquico com ordens que têm que cumprir sem discutir, é relativizar demasiado a questão.

O SMO era uma forma de muitos jovens poderem sair das suas aldeias, de onde se calhar tão cedo não sairiam, e irem conhecer um pouco do País, fazer amizades que duram uma vida. Ter Princípios, Valores e Tradições. Aprender a fazer uma cama e a polir uns sapatos, ser aprumado, aprender artes e ofícios, tirar a carta, estudar, tirar um curso superior em áreas especializadas e bem pagas. Seguir uma carreira era muito para quem tinha como expectativa tentar um dia ir morar para a Vila mais próxima da sua aldeia.

Lá porque alguns de nós nasceram num berço, não podemos acreditar que todos tiveram a mesma sorte e se calhar para o menino mimado da Cidade “ir à tropa” ia retirar-lhe tempo de lazer mas para o menino trabalhador do campo podia ser uma forma de alargar horizontes, uma forma de aumentar as perspectivas e as redes de contacto.

Fiquem sabendo que acordar ao som da corneta às 06h da manhã, formar e seguir todos os rituais de um dia normal num aquartelamento só reforça o carácter. Senão veja-se a diferença entre os jovens que “foram à tropa” e estas novas gerações. Estes não sabem levar um “não”, não sabem lidar com as frustrações, não sabem o que é espírito de equipa ou de sacrifício,têm os caminhos profissionais todos barrados sem escapatória.

Ao ver esta reportagem sobre a MM, lembro-me do Supermercado Militar (e que boas eram aquelas bolachas recheadas!) ou do Laboratório Militar que fazia medicamentos que não eram placebos, ou o Casão Militar onde passávamos horas a admirar as fardas, medalhas e toda a restante parafernália. Eu sinto-me honrada cada vez que vejo um Militar, eu tenho orgulho nas fardas que eles vestem, eu compreendo a forma como eles sentem a Nação.

Esta reportagem leva-me a outro ponto deste problema: eu não considero, já desde o tempo da perseguição que J. Sócrates lhes fazia, que todos os que trabalham de, com ou para o Estado português sejam funcionários públicos e para mim é nesta diferença que reside o problema. Se não vejamos: um militar não é um funcionário público, é um funcionário do Estado. Parece a mesma coisa mas eu passo a explicar: na categoria de funcionários públicos temos todos aqueles que directa ou indirectamente trabalham com a Administração Pública, políticos incluídos pois dependem do voto e não da carreira ou da competência. Todos aqueles que existem para assegurar a primazia do Estado de Direito, a Paz e a Segurança, todos aqueles que se levantam para ouvir o Hino e estão disponíveis para ajudar o seu Estado sempre que seja necessário, são funcionários do Estado. Para mim, é diferente.

Esta aversão ao policiamento, ao exército, às leis e às regras já me começa a fazer confusão. É claro que a esta altura o Exército Europeu e a Policia Europeia já deveriam ter sido criados e parte do problema estaria já resolvido mas como é evidente, como cada um quer ter as suas quotas, estas duas figuras nunca mais vão passar do papel. Nos entretantos, nós somos um Estado com elevadas (em termos dimensionais e de custos) estruturas físicas às quais não damos uso e que estamos a deixar ao abandono quando podiam estar cheios de homens e mulheres a zelar pela nossa segurança.

Felizmente Portugal não é um País de grandes catástrofes mas lembram-se quem foram os primeiros a serem chamados quando caiu a Ponte de Entre-os-Rios? Pois é, foram os militares porque a Engenharia Militar é perita em Pontes e estruturas e portanto era a que mais facilmente poderia controlar os danos  naquela situação.

Até na questão das greves, o Exercito teria uma palavra a dizer. Vocês sabem que eram formados maquinistas no Exército? Que caso houvesse uma greve, o que é recorrente hoje em dia, podiam chamar os maquinistas que eles estavam aptos a pôr os comboios a circular?

Pois…a tropa não são só corridas e berros. Há muito mais que o comum mortal não vê nem sabe mas que já estava na hora de aprender. Um País que não trata condignamente quem de pé ouve o seu Hino, quem o defende a todas as horas, quem contra um inimigo desconhecido luta até à morte se for preciso, é um País sem moral e sem honra.

Está mais do que na hora de olharmos com “olhos de ver” para a nossa sociedade e percebermos que o SMO faz falta. Que o facto de se chamar “obrigatório” não significa que vivamos em Ditadura ou que se perdeu a Liberdade. Significa apenas que HÁ coisas que são obrigatórias e ainda bem que assim é. Aliás, o seu fim é que levou a que perdêssemos duas gerações e a que haja este gap societal.

Eu defendo que os manifestantes devam ser considerados funcionários públicos com vinculo ao Exército e estes ao contrário de muitos, trabalham mas ainda assim, talvez por ser uma Casa que significa muito para mim, gostava de a ver tratada com mais dignidade e gostava também que deixassem de tratar o Exército como o “parente pobre das Forças Armadas” e começassem a perceber que precisamos tanto dele como dos outros ramos.

A reintrodução do SMO iria reestruturar a sociedade em termos morais e societais e não trazia mal nenhum ao Mundo. O que trás mal ao Mundo é acharmos que podemos viver sem regras, sem saber cantar o Hino e sem respeitar a Bandeira.

Tanto se falou de Abril e da Liberdade..e que tal falarmos da Liberdade de termos o País que merecemos, de termos um País em condições que forma as suas juventudes e lhes dá mais do que uma opção?

Aqui vos deixo o video que me serviu de base a esta análise:

http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=823139&tm=8&layout=122&visual=61

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