Quanto vale o voto?

A questão do Voto é realmente pertinente mas vamos por partes. No passado Domingo tive oportunidade de estar novamente numa mesa de voto e desta vez pude assistir a uma realidade bem diferente da última em que estive presente.

Para além dos vários fenómenos como as pessoas não saberem dobrar um boletim, ou acharem que devem ser os elementos da mesa a depositarem o voto na urna, ou acharem que podem conferenciar com familiares ou amigos quando se encontram na cabine de voto ou mesmo que os elementos da mesa é que lhes devem providenciar a caneta para colocarem o tão precioso “X” sem qualquer secretismo ou privacidade, o que retenho deste acto eleitoral, é a atitude das pessoas. A confusão com que encaravam o boletim de voto contrastava com a determinação que impunham aos passos que davam desde a cabine até à urna para depositarem o voto. As pessoas sabiam o que faziam e sabiam o que queriam.

Esse “saber” esteve presente nos resultados apurados. Não vou aqui fazer uma análise exaustiva dos resultados, para mim, ficou bem claro que a única Coligação que se apresentou a votos foi a que saiu vencedora após escrutínio.

Bem antes das eleições, eu disse que se perdesse, António Costa assinaria o seu suicídio politico e estamos agora a assistir ao Canto do Cisne. Acho que ganhamos todos se e quando isso acontecer porque se há coisa que temos em excesso e de que não necessitamos é de políticos sem espinha-dorsa

Eu discordei de uma Coligação pré-eleitoral pois passada a tormenta que foram os últimos quatro anos, eu defendi que o PPD/PSD deveria enfrentar o seu eleitorado e o País e pedir a revalidação do voto de confiança para continuar no caminho que foi traçado em 2011. Após as eleições, para mim a Coligação até faria sentido pois o CDS/PP tem uma tendência humanista e social mais impregnada do que nós que somos mais tecnicistas e que temos que ser, por força das circunstâncias uma vez que somos sempre chamados a resolver os problemas graves e a sanar as contas públicas. Assim, o facto de haver um Partido com uma maior tendência social ajuda a amansar a força das politicas de austeridade que somos obrigados a implementar.

Era hora de o PPD/PSD saber qual a força do seu eleitorado e saber em que medida é que a população tinha entendido a mensagem dos últimos quatro anos mas acima de tudo, se tinha entendido o porquê de ter acontecido. Ao aparecer coligado e sendo o eleitorado centrista por norma católico, de cariz familiar e conservador, ao ver que o CDS/PP esteve limitado na sua actuação politica por força das circunstâncias que vivíamos e uma vez que é fiel, optou por não votar o que resultou numa maioria relativa.

Ao ver o Bloco de Esquerda a conseguir o que para si foi um resultado histórico, e para mim desastroso, e ao vê-lo cheio de pompa e circunstância agir como se tivesse ganho as eleições, oscilei entre o pânico e a comicidade pois só mais tarde se devem ter apercebido que foram o “penico” dos PS extremistas e descontentes com a postura errante que António Costa tem apresentado.

Chegamos à conclusão que todos os Partidos que se apresentaram a eleições as ganharam excepto aqueles que as ganharam legitimamente. António Costa faz o que deveria ser um discurso de derrota mascarado com um discurso de vitória dando a entender que só daria o seu apoio à Coligação caso esta seguisse o Programa de Governo do PS que aliás fez questão de apresentar. Isto na minha terra para além de roçar a Ditadura, é uma falta de respeito pelos Portugueses que em urnas expressaram livremente a sua vontade.

PCP e BE por sua vez apresentam também um discurso de vitória e clamam uma Aliança de Esquerda chamando o PS para a completar. Mas afinal, quem forma Governo não é quem ganha legitimamente as eleições? Já não bastou o Golpe de Estado de Jorge Sampaio a Pedro Santana Lopes?

A nossa Constituição é por norma pouco clara mas nesta até se percebe bem que o Partido que sai mais votado do acto eleitoral, é aquele que é chamado pelo Presidente da República para formar Governo. Pedro Passos Coelho e Paulo Portas já assinaram o Acordo de Governo na passada segunda-feira e só este circo mediático de António Costa está a impedir o normal desenrolar do processo democrático.

António Costa comporta-se como se tivesse sido ele o indigitado para Primeiro-Ministro reunindo com a esquerda em busca de consensos que lhe permitam formar Governo e os simpatizantes de esquerda andam todos contentes a cantar vitória.

Eu deixo apenas uma questão: Como é que sendo tanto o PCP como o BE, Partidos que se afastam da lógica europeia em que estamos enquadrados, podem chegar a consenso em matérias facturantes para aguentar solidamente um Governo a quatro anos? E não tendo eles concorrido coligados, como é que havendo um claro vencedor eles se podem propor a formar Governo? Ok, podem porque têm maioria de deputados, dir-me-ão mas eu contra-argumento: então o Governo de António Guterres não era minoritário? E o segundo de José Sócrates também e ambos só não chegaram ao fim por incompetência dos Primeiros-Ministros porque tanto o PPD/PSD como o CDS/PP se esforçaram para que tal não acontecesse pondo o Supremo Interesse Nacional acima de qualquer quezília politica.

Afinal, o que é mais importante? As agendas ocultas de cada Partido ou o País?

Eu tenho para mim que António Costa quer prolongar o circo até às Presidenciais porque não quer que o Congresso e consequentes directas ocorram antes. Ele quer sair com pelo menos uma vitória mas se a candidata é Maria de Belém, e mesmo que fosse outro, tal cenário não se coloca. Ao mesmo tempo, achando que está a ter uma postura mais dura, António Costa pretende voltar a conquistar o Partido quando no fundo só o está a fracturar mais.

Eu considero que o PS precisa de passar por esta purga da mesma forma que acho que em principio assistiremos ao regresso de António José Seguro que representa uma ala menos acéfala e menos radical do que a de António Costa e com o qual será possível – também dependendo do Presidente da República eleito – chegar a consensos importantes nomeadamente em matéria de Revisão Constitucional, algo aliás fundamental para que se possam continuar a fazer as reformas de que tanto e tão desesperadamente precisamos.

Eu não acredito nem por um momento que o Prof Cavaco vá dar posse a uma coligação não-eleita de esquerda e por mais que a CPN do PS tenha mandatado António Costa para ouvir todos os Partidos (o que me faz espécie visto que ele não ganhou as eleições) nunca será possível chegar a um entendimento quando ele se apresenta às reuniões com a Coligação sem qualquer proposta para apresentar tal como aliás fez em campanha. Somos portanto obrigados a aceitar o facto de que o PS se apresentou a eleições sem sequer um esboço de um Programa de Governo ao mesmo tempo que quer basear as negociações com a esquerda somente na concertação social. salários e pensões. Veremos o que lhe diz a Catarina e os seus experts na reunião da próxima semana e o que resulta da reunião que vai ter com o Presidente da República que muito provavelmente por já antecipar este cenário dantesco não participou das Cerimónias do 05 de Outubro para se dedicar a este dossier.

Só mais duas notas em jeito de finalização desta análise: uma palavra aos abstencionistas, o desinteresse não muda coisa nenhuma, só ajuda a que situações como esta ocorram e prejudicam-nos a todos. Não temos os melhores políticos do Mundo, é um facto mas temos que saber trabalhar o melhor possível com o que temos e por pior que a vossa vida esteja a correr neste momento, desejar que todos os outros também tenham uma vida sem condições nem é correcto, nem é justo nem é democrático e portanto mais uma vez aproveito para defender a obrigatoriedade do voto.

Por último, os números da abstenção nos quais eu não acredito. Por mais que me digam que houve extravio de votos, e eu até acredito porque os interesses instalados já estavam afastados há tempo demais e tudo valia para falsificar os resultados e prejudicar a vitória da Coligação, alguém acredita que há 9 milhões de votantes em Portugal e que só temos um milhão de jovens abaixo dos 18 anos? Como é que se de Norte a Sul do País todos dizem que houve mais afluência às urnas, os números da abstenção se mantêm nestes valores absurdos?

Senhores da CNE que todos nós pagamos, vamos lá trabalhar e sentar o rabinho na cadeiras e limpar de uma vez os cadernos eleitorais? Eu sei que é um trabalho chato mas vocês andam há 41 anos a receber e a não fazer nenhum por isso acho que chegou a altura de justificarem a vossa existência, eu agradeço.

Até ao próximo texto meus queridos seguidores 🙂

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2 thoughts on “Quanto vale o voto?

  1. Boa tarde companheiras e companheiros , tal como a Luisavaz estive a exemplo de outras eleições numa assembleia de voto , nada de especial se passou durante o ato , uma ou outra duvida mais no caso de levantar o boletim e se dirigir a outro local de votar , detectado e direcionado corretamente , anteriormente e por vicío e impunidade a menos de 100 metros da assembleia de voto estendia-se um perfilar de cartazes da CDU , já tentei reclamar esta infracção há CNE , mas o mesmo torna-se tão confuso que por momento suspendi , estou já habituado a estas arbitrariedade , mas na sala e depois de encerrado o período de voto , quebrou-se os selos da urnas e despejaram-se para a respectivas mesas para contagem dos votos , ai começaram a haver algumas duvidas , as mesas eram constituídas por quatro elementos , um secretário um vice secretário e dois escrutinadores , mais ou menos cabe a cada partido ter um elemento representado , o que não quer dizer que seja obrigatório todos pertencerem a um partido , pois pode haver algum independente , na assembleia onde estava quando da contagem e separação em montes por partidos , apareceram as primeiras duvidas quando dentro dos respectivos quadrados as cruzes não estavam bem definidas , umas fora evidente , outras mais carregadas por alguma razão que não me compete , julgar logo a primeira era da PàF , estava sobrecarregada mas dentro do respectivo quadrado ´todos questionaram a validade do voto , de outra coisa não estava há espera conhecendo alguns elementos , perguntei quem é que acha que este voto resvalou de um outro partido para este por acaso , não está evidenciado a intenção do mesmo , e pronto todos concordaram , e até que mais para a frente outras situações aconteceram noutros partidos e confirmei a mesma opinião , começaram a subir os montes nos partidos , e não me surpreendeu ver o PS a subir , pois o concelho é socialista há muitos anos sucedendo , aos comunistas desde Abril , mas a Freguesia é e sempre foi comunista , e começo a ver o BE a ter um maior volume de votos , a coligação ficou a 13 votos do PS , ficando , PS , PÁF, BE , CDU . Quanto há assunção de concorrerem em separados os dois partidos , poderia não deferir muito , no após acto e unificação de ambos , o CDS , é realmente um partido com vocação mais cristã , e mais preocupado com carências sociais , mas convenhamos que expressa pouco peso mesmo na sociedade mais necessitada , eu tinha na família como exemplo os meus antecessores da parte do meu pai , tudo cristão católico romano , a minha avó era presidente da conferência São Vicente de Fora , e reunia todas as senhoras da Aldeia em casa oferecia chás e padre convidado , e reuniam alimentos e roupas para suprir piores momentos , Numa Aldeia de pouco mais do que quinhentas pessoas haviam entre igrejas e capelas oito , mas a propósito da democracia cristã , no caso de casa da minha avó deu muito há aldeia incluindo a casa do povo e empregava a maior parte da aldeia , e sei que as tendências do povo eram mais de assumir outros caminhos , sucedendo ao meu pai da minha parte e creio que dos meus irmãos , encaramos a social democracia como a mais racional e liberal força politica existente , mas o concorrer em separado com os resultados que se obtiveram , era o menor dos riscos e até o mais racional , chegou-se a aventar a fusão dos dois partidos , do qual não estou de acordo , uma verdade imutável foi a de que ganhamos as eleições , falta dar posse ao novo governo , e aguardar pelas presidenciais que não estão muito longe . E viva sempre o PSD e viva Portugal .

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    • Obrigada José por mais um comentário cheio de conhecimento. Quanto à fusão de que fala, seria, na minha opinião, impensável,já temos correntes que chegue, o CDS\PP tal como o conhecemos é mais do que necessário na cena política nacional. O Acordo de Governo ja foi assinado, aguardo a marcação da Tomada de Posse que não pode nem deve tardar não por partidarite mas por questões técnicas, económicas e financeiras.
      Continue a acompanhar e a participar 🙂
      Até breve.
      Cumprimentos

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