Como legalizar o ilegal?

Portugal encontra-se num momento politico muito delicado e todas as pessoas sem excepção, independentemente do seu grau de cultura politica deveriam estar extremamente preocupadas com o que daqui pode resultar.

Muito se tem dito e escrito, muitos cenários têm sido montados, muitos sonhos têm nascido e morrido nestes longos 15 dias em que o País tem estado em “banho-maria” porque temos um Presidente da República que continua a insistir em acreditar em milagres.

Mas vamos por partes porque a situação, por ser nova, chega a ser de difícil compreensão até para quem percebe alguma coisa do assunto e esta dificuldade advém em primeira instância da CRP e do próprio Prof. Cavaco, senão vejamos: como em tudo, a CRP está armadilhada até aos dentes e se por um lado morre de medo da extrema-direita, por outro dá toda a latitude à extrema-esquerda esquecendo-se que na base aquilo que as separa é a relação que têm com a Religião visto a extrema-esquerda ser por natureza ateísta. Assim sendo e apesar de termos um claro vencedor nas últimas eleições legislativas, o Presidente da República não lhe pode dar posse porque insiste num Governo estável e portanto maioritário. Já foram anteriormente empossados Governos minoritários mas como eram saídos do Partido Socialista e a dita “Direita” estava na Oposição, nunca houve como agora uma chamada “maioria parlamentar de esquerda” e é aqui que a CRP nos trama porque distingue a “maioria de votos” da “maioria parlamentar” ou seja, o Partido que ganha as eleições pode não ter a maioria de assentos no Hemiciclo e portanto pode não lhe ser dada posse. Resumindo: Mesmo que haja um vencedor claro nas urnas, pode haver outro na Secretaria e é perante este cenário que nos encontramos neste momento.

Esta é a culpa que se atribui à CRP nesta matéria mas e então qual é a culpa do Prof Cavaco? O Prof. Cavaco tem culpa em quatro momentos distintos deste acto eleitoral, a saber:

  • Antes de ele ocorrer ao afirmar que só daria posse a um Governo maioritário (se calhar filado, aliás como a maioria de nós que a Coligação obteria a Maioria Absoluta nas urnas) pois queria que se alcançasse um Compromisso de Estabilidade entre os Partidos do “Arco da Governação deixando explicitamente de parte os Partidos que não respeitem os Tratados Internacionais, a permanência na Europa e na Moeda Única (o que exclui liminarmente o PCP e o BE);
  • Volta a errar quando apenas recebe Pedro Passos Coelho e Paulo Portas não convidando os outros lideres com assento parlamentar a formar Governo (por mais uma vez teimar com esta conversa do “Compromisso de Estabilidade)
  • Erra uma terceira vez ao alargar o prazo de 8 dias previsto na CRP para dar posse ao Partido que sai vencedor das eleições insistindo nas negociações;
  • Erra novamente ao marcar tão tardiamente as eleições remetendo para Maio/Junho de 2016 um novo acto eleitoral pois há eleições Presidenciais no inicio de 2016 e não pode (mais uma vez cortesia da CRP) haver dissolução da AR nos seis meses anteriores e posteriores a esse acto eleitoral.

Está mais que visto que o propósito do Prof. Cavaco era dar legitimidade maioritária à Coligação Portugal à Frente amarrando o Partido Socialista a um compromisso para 4 anos tendo-se esquecido da ânsia de Poder de António Costa que apesar de ter perdido nas urnas acha que tem condições para impôr a sua indigitação como Primeiro-Ministro. Uma dúvida subsiste na minha mente: se eu consegui antecipar esta jogada de Costa, como é que o Prof e os seus assistentes não conseguiram?

O PCP (ou somente Jerónimo de Sousa) está disposto a deitar por terra tudo o que tem defendido nos últimos 41 anos ( Álvaro Cunhal deve dar voltas no túmulo, coitado..) Catarina Martins anda desesperada não para apresentar opções mas para “derrubar a Direita). Faço aqui um à parte, eu pensei que o Partido da k-7 era o PCP mas a única coisa que ouço esta senhora dizer é que “luta pelos salários, pensões e emprego” como se tudo o resto não existisse e como se isso fossem os ingredientes mágicos para a resolução de todos os problemas.

Mas o mais curioso, porque antes de começar a escrever fui tentar perceber o que une a esquerda para além do ódio à Direita, é que fui ler as definições de Socialismo, Comunismo e Troskismo-Leninismo. Como esta última não aparece, fui à página do Bloco de Esquerda (o que fez o meu computador empancar..folgo saber que está bem ensinado) onde constatei que o Programa não existe pelo que não se consegue perceber muito bem o que defende, nem muito bem nem muito mal visto que há várias informações contestatárias mas não há um Programa Ideológico. Será a sua ausência que permite um acordo tripartido da Esquerda? Será a omissão uma forma de estar ou uma forma de se poderem virar consoante o interesse do momento?

Como podem dois Partidos claramente anti-europeístas, anti-Instituições Internacionais e anti-euro firmar um Acordo de Intenções visto que nada está assinado, algo que ainda ninguém viu, algo que ainda nem sequer está acabado com outro claramente europeísta, pró-euro e pró- Instituições Internacionais e que inclusivamente, pela mão de Mário Soares, foi quem assinou a nossa entrada na então CEE?

Dizem que houveram cedências. Em que matérias? Em que moldes? Como é que se pode ceder à Esquerda e à Extrema-Esquerda e não se consegue ceder à Direita e ao Centro-Direita dos quais deveriam ser em termos programáticos e ideológicos bastante mais próximos?

Não será o motor de tudo isto apenas uma Cruzada para chegar ao Poder? Mas será que vale tudo “até arrancar olhos”? Hoje o dia foi profícuo em comentários e noticias e o somatório de tudo isso são estes números que se referem à composição da AR e possíveis compromissos (estes números foram avançados por um jornalista da SICN no Jornal da Noite de hoje):

PS+ BE = PSD+CDS (PCP abstêm-se)

Se o PAN alinha com PàF, 2 deputados comunistas têm que votar com PS+BE. Quais? Como são escolhidos?

Ou seja, com quem papel fica o PCP nesta tríade? Se o seu papel é de mero abstencionista, porque não pode o PS fazer o mesmo em relação à PàF? Pois..porque se assim fosse o senhor Costa não tinha como tentar chegar a 1º Ministro pela porta do cavalo..ora pois…Viva o Interesse Nacional!

Dei-me ao trabalho de ir ler os conteúdos programáticos dos três Partidos envolvidos nesta tentativa de Golpe de Estado e vou-vos deixar aqui essa informação para consulta, aliás, vou deixar os dos 5 Partidos com assento parlamentar para que comparem. Gostava de depois saber que pontos encontraram em comum da mesma forma que gostava de saber o que defende afinal o BE para além das tretas do costume em que mais ninguém pega porque Partidos habituados à arena politica têm preocupações bem mais alargadas e contundentes.

E agora a parte mais interessante! Com que cenários se pode o País deparar nos próximos dias e com que consequências?

A) Depois de ouvidos os Partidos que faltam, o Prof. Cavaco dá posse a Pedro Passos Coelho, líder do Partido mais votado nas últimas legislativas;

Riscos:

A) Uma Moção de Rejeição (figura já antiga mas pelo visto nunca usada mas agora bastante falada e que pressupõe que mal haja apresentação do Programa de Governo a Oposição o faça cair).

Daqui podem decorrer dois cenários:

1.1) Toda a Esquerda se une e a Moção passa caindo o Governo;

1.2) O PS faz Oposição responsável, abstém-se e a Moção chumba. Partiríamos então para a elaboração do OE 2016 já com um atraso considerável e faltando com os compromissos assumidos internacionalmente.

1.1.1) No caso de o Governo cair, António Costa como líder do segundo Partido mais votado é convidado pelo Prof. Cavaco a formar Governo;

1.1.2) Consegue um Acordo escrito e assinado com os parceiros de esquerda, este é analisado e aceite pelo PR por cumprir com as metas do déficit, com os Acordos Internacionais e com as metas europeias e toma posse;

1.1.3) É desmascarado o bluff de Costa ou porque não há Acordo ou porque ele vai insistir em não o mostrar antes de ser indigitado e o PR não o indigita

B) No caso de o Governo passar e o OE não, ficamos com um Governo de Gestão liderado por Pedro Passos Coelho que funcionará no regime de duodécimo até que se possam marcar novas eleições em Junho (que provavelmente a PàF ganhará com Maioria Absoluta). Num Governo de Gestão, está assegurado o pagamento de salários e pensões mas os poderes da Legislatura são extremamente condicionados.

É portanto de fácil compreensão que o Golpe de Estado e a desvalorização de um acto eleitoral livre e democrático de pouco adiantará à Esquerda sedenta de Poder e que antes de o conseguir já não demonstra respeito nenhum pelos cidadãos. Que aconteceria se assumissem o Poder? Eu por mim teria que voltar ao papel de carta e pedir-vos as vossas moradas porque a Era Digital já era…

Três lições a tirar:

  1. O Presidente da República doravante deve ser um individuo mais novo e com uma capacidade de resposta às situações bastante mais rápida;
  2. As pessoas têm que perceber que o “voto útil” em oposição ao “voto responsável e informado” deve ser utilizado não para castigar (um boletim não é uma chibata) mas tendo como função a opção mais responsável para o País. Na última contagem éramos 10 milhões por isso por mais que na cabine de voto estejamos sozinhos, temos que pensar na sociedade TODA e não apenas nos nossos interesses individuais. Querem castigar alguém? Querem fazer a diferença? Querem tirar de lá quem está a mais? Leiam os conteúdos programáticos dos Partidos, escolham aquele que é mais revelador do tipo de sociedade que defendem e com que se identificam, filiem-se, paguem quotas, apareçam. A diferença faz-se de dentro para fora e não confortavelmente instalados no sofá lá de casa. Cidadania faz a diferença, Abstenção e “votos úteis” trazem-nos a estas situações;
  3. O PS vai implodir, o PCP vai finalmente deixar cair o “castelo de cartas” que o tem sustentado e o BE vai desaparecer do mapa tão depressa quanto chegou e a fraude vai ser desmascarada.

Nem tudo vai mal no Reino da Dinamarca se assim for. Vamos passar seis meses a dar Passos cautelosos até à Maioria Absoluta onde vamos poder continuar as Reformas de que este País tanto necessita. Já o poderíamos estar a fazer mas o povo português gosta de ser brincalhão e teima em brincar com coisas sérias.

Lembrem-se que o desfecho poderia ser bem pior por isso seja qual for a tua idade, a tua classe social, o teu enquadramento, lê, informa-te, não deixes que pensem por ti e quando lá fores por o X fá-lo com a consciência de que estás a fazer o melhor para o teu País mesmo que não seja o que achas ser melhor para ti no imediato. Aprende com a História e ajuda a que os erros não se repitam.

Links que sustentam esta temática:

http://www.significados.com.br/comunismo/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Bloco_de_Esquerda_(Portugal)

http://www.significados.com.br/socialismo/

http://www.psd.pt/programa.php

http://web.cds.pt/static/index.php%3Foption=com_content&view=article&id=384:programas-e-manifestos&catid=80:historia&Itemid=180.html

Até breve,

Lu

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s