Email enviado a Pedro Passos Coelho no âmbito da sua recandidatura a líder do PPD/PSD

Estimado Dr. Pedro Passos Coelho,

Gostava de começar esta missiva por lhe agradecer a sua dedicação, trabalho e empenho à frente dos destinos da Nação durante a anterior Legislatura bem como a sua postura de Estadista na resolução da crise pós-eleitoral e posteriormente no desempenho do mandato de Deputado que agora ocupa.
Por não me ter sido possível estar presente na sua visita à Distrital do Porto, aproveito para lhe deixar aqui as minhas sugestões uma vez que para tal me dá essa oportunidade. Também em 2011 usei a plataforma que o PPD/PSD, sim porque apesar da actual nomenclatura por que é conhecido, para mim, o Partido será sempre assim designado pois é com esse espírito e essa postura que me identifico, para dar o meu contributo sobre a implementação do Memorando de Entendimento e muito me agradou ver que, obviamente não por terem sido escritas por mim mas porque era o que deveria ter sido feito, muito do que lá partilhei foi implementado.
Assim e como militante atenta e participativa que me considero e como cidadã preocupada com a rápida aproximação de Portugal a uma 4a bancarrota, aqui lhe deixo as minhas considerações sobre o que penso ser melhor para o futuro do País e do Partido.
A nível partidário:
Defendo a ideia de que deve ser feita uma limpeza sem precedentes pois apesar de sermos um Partido plural e onde podemos expressar livremente a nossa opinião, não raras vezes vemos intervenções de elementos que não só não têm moral, como não têm mérito nem percurso, que não o politico, pese embora a sua influência seja ela interna, televisiva ou outra que justifique a sua permanência enquanto militantes pois quer na sua vida prática quer dentro do Partido, não respeitam nem desenvolvem os ideários da social-democracia.
Ao fazê-lo e tal como tentou fazer a nível nacional, o Senhor ganhará pontos quer no campo interno quer no campo nacional pois demonstra mais uma vez uma postura recta e idónea mostrando que não cede a lobbies nem a grupos de pressão.
Também internamente,o PPD/PSD possui uma máquina muito pesada não havendo rotatividade plena e absoluta nos cargos, há sim rotação de cadeiras o que não beneficia a pluralidade e o debate de ideias. Não raras vezes vemos o mesmo grupo de indivíduos à frente das Concelhias ou das Distritais anos a fio sem que isso se reflicta no aumento de militantes, na qualidade do debate politico ou na expansão e esclarecimento das ideias sociais-democratas. O que em última instância demonstra que esses grupos lá estão por uma infinidade de razões que não porem-se ao serviço da Causa Pública que deve ser o único motor de qualquer militante independentemente da sua origem.
Uma máquina pesada como a que apresentamos leva à proliferação destas situações, ao compadrio, à inércia e à inépcia e isso não é desejável pois o resultado será que o Partido se fechará sobre si próprio afugentando as pessoas mais interventivas e de mente mais aberta deixando os “dinossauros” a controlar as operações. Renovação é por isso palavra de ordem, no meu entender.
Ainda dentro da mesma esfera, a comunicação. O PPD/PSD quer enquanto Partido quer enquanto Governo padece de várias e graves falhas a este nível. Numa reunião de militantes um dia ouvi uma expressão que acho que se adequa e que vou ter a liberdade de partilhar consigo. Dizia o seguinte: ” a canalha não deve nadar na piscina dos grandes, para isso é que há piscinas com menos profundidade para eles”. O que isto significa é que há muita miudagem com cargos de bastante relevo dentro do Partido e por mais que possam ter vontade e ideias, certamente não têm o conhecimento, o mérito, o percurso profissional, a maturidade para lidar com situações que podem ser revestidas de alguma gravidade porque de seriedade são-no de certo e a forma como respondem às situações leva a que a comunicação social as consiga empolar e consiga causar danos quando tudo o que é preciso é calma e tranquilidade para levar o País “a bom porto”. Torna-se portanto urgente e profundamente necessário que seja definida uma boa estratégia de marketing e comunicação para se acabar com alguns mitos que insistem em subsistir e para que os nossos concidadãos possam ter uma ideia clara e transparente sobre o funcionamento do Partido e deste quando assume Governos.
Esta situação foi muito visível no último Congresso em Lisboa ao ponto de eu me sentir compelida a escrever ao nosso Secretário-Geral Matos Rosa por duas vezes. Por alguma razão que desconheço, nunca obtive resposta. Continuo à espera que um dia ela surja pois como militante, ex-dirigente Jota e participante activa considero que era de bom-tom que o meu Secretário-Geral ao menos reconhecesse o envio do email.
Em suma, na minha opinião, o Partido funcionaria melhor se se expurgasse, se voltasse às suas raízes sociais-democratas, se reduzisse as estruturas e o número de pessoas que delas fazem parte e se em vez de tantos Conselhos de Jurisdição criasse um Conselho de Ética que respeitasse os Estatutos pois é dessa natureza a maior parte das falhas. Ilegalidades de forma são muito poucas comparadas com as éticas.
A nível nacional:
Poucas foram as criticas que apontei à sua governação mas há uma que infelizmente não posso deixar de fazer e ela prende-se com a Reforma do Estado e da Constituição da República Portuguesa.  Aliás, afirmo mesmo que a primeira não é possível sem a segunda pois esta está armadilhada de forma a que não se possa mexer nos seus pontos mais sensíveis e que permitem toda esta usura que sistematicamente nos atira para as malhas da falência.
Assim, gostaria de ver estes dois temas recuperados e gostava que lutasse por eles pois são, na minha opinião, o garante da sanidade das contas públicas e a única forma de acabar com todo o compadrio e as más decisões politicas.
Não me estendo muito nesta matéria pois o Senhor conhece-la-à certamente melhor que eu.
Sendo quase certa uma 4a bancarrota e acreditando eu que o próximo Memorando será mais duro quer no conteúdo quer na implementação do que o que agora finalizou, acredito também que seja o Senhor e a sua equipa a negocia-lo pois tem já a experiência do de 2011. Assim peço-lhe que ele sirva de chapéu-de-chuva para as tão necessárias reformas, as que ficaram por fazer e que já mencionei e as que terão que ser feitas de novo dada a postura do actual governo da Nação.
Ainda neste capitulo e quase a titulo de nota pessoal, pedia-lhe que estudasse a reintrodução do Serviço Militar Obrigatório (SMO) e a reversão do Acordo Ortográfico (AO) e junto ambas, quando aparentemente nada têm a ver, porque a meu ver se tratam de alicerces-base de uma sociedade evoluída. Não será difícil perceber que com o mercado de trabalho cada vez mais congestionado, o SMO acaba por dar aos nossos jovens uma alternativa credível a nível profissional bem como um conjunto de valores e princípios que só naquele ambiente se adquirem e que são posteriormente plasmados na sociedade. E basta um olhar ténue sobre a sociedade portuguesa para perceber as diferenças entre as gerações que a ele tiveram e as que não tiveram acesso.
Da mesma maneira mas numa linha diferente, o AO desorganiza a sociedade. Uma sociedade culta e evoluída comunica de forma a que todos se possam entender e as regras fonéticas e semânticas têm que existir e ser respeitadas. O facilitismo não ajuda ninguém a evoluir seja em que área seja. Assim e visto que a maioria dos Países não o pretende ratificar e nós portugueses somos os mais, se não os únicos prejudicados com a sua implementação, a sua reversão imediata seria prejudicial apenas para as indústrias livreiras. O povo português deve ser livre para falar, escrever, interpretar e comunicar na sua língua-pátria. Permita-me que lhe deixe uma sugestão: tomemos em consideração o caso Inglês. Na Inglaterra fala-se o british english como sabemos mas isso não invalida os inúmeros dialectos praticados nos países anglófonos ou o american engish. Por exemplo: quando estamos a aprender inglês, se tivermos um bom professor ele faz-nos um paralelismo do género ” truck= camião; aka lorry= usa” e todos compreendemos a lógica, todos se sentem respeitados, todos interagem mas um não deixa de existir devido aos outros e se formos a comparar mercados de falantes, a Inglaterra está para Portugal como o Brasil está para os Estados Unidos e nenhum deles deixa de se entender ou fazer entender.
Assim, levando em consideração o Supremo Interesse Nacional, estas duas questões deveriam ser revisitadas com seriedade pois abalam as estruturas da sociedade portuguesa.
Muito mais haveria a dizer mas o seu tempo é curto e o texto já vai longo. No entanto, se um dia tiver disponibilidade para aprofundar algum destes temas ou vários, estarei ao seu dispor.
Termino dizendo que considero que houveram três Estadistas no meu entender no PPD/PSD, Francisco Sá Carneiro, Pedro Santana Lopes e Pedro Passos Coelho. Peço-lhe por isso que seja um exemplo para que um dia mais nomes se possam juntar a esta notável lista.
Aceite os meus mais sinceros cumprimentos com votos de que seja assim que possível, o próximo Primeiro-Ministro de Portugal.
Atenciosamente,
Luisa Maria Teixeira Vaz
(militante número 69338)
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